domingo, 27 de abril de 2008

Nariz de Palhaço e Cara na Reta


Nem todos no PT concordam com o método, atalhos e práticas produzidas por alguns dos seus membros para chegar ao poder, movido pela ansiedade e pelo comodismo das "alianças".

Realmente, você pegar um cavalo no pasto, amansá-lo, cuidar dele, treinar, encilhar, dá um trabalho! No entanto, pegar um mangalarga, marchador, na porta, já selado, é meio caminho andado. Continuo pensando da mesma forma que penso desde quando entrei no PT, atraído pela sua forma democrática de fazer política, sem dono nem cacique e aonde o voto, a proporcionalidade e as instâncias ensejam o emplacamento de idéias, mesmo que de forma minoritária.

Não dá para você fazer aliança com quem pensa o poder, tendo como motivação principal alguns projetos pessoais que visam se dar bem. O visitante virtual sabe muito bem o porque, mas nunca é demais esclarecer. Quando você faz alianças com esse tipo de pessoas, em decorrência, vem a cumplicidade, a obrigação, o dever favor, o financiamento, o rabo preso e uma intimidade tamanha com o lado podre da política que, depois de eleito, você fica igual à maioria dos nossos vereadores, com aquela sonolência e subserviência que o levam a compor, sem direito de reação, a bancada de apoio daquele que o fez chegar ao Poder, em nome de uma "governabilidade" que tem o povo em plano secundário.

Na ausência desse parceiro ideal, sou favorável a uma caminhada solo. Mas para isso, é necessário conter a ansiedade. Fazemos parte da história, mas para fazer as coisas acontecerem demanda tempo e paciência.

Sempre sugeri, e continuo sugerindo que peguemos o Programa de Governo do PT, que tem tudo a ver com o bem estar da população, dar a ele uma versão didática, através de folhetins e levá-lo para discutir com os movimentos sociais. Mas para isso, é necessário saber quem pode fazer essa tarefa. Não dá para você chegar perto do eleitor com bafo de adesista inconsequente, nem aliancista com o lado nefasto da política. Mas esse é o caminho. No ato de ontem, já percebi que isso é possível.

Os jornalistas, a exemplo do Vitor Menezes e Ricardo André (foto), outros bloguistas como Roberto Moraes, Fábio Siqueira, Xacal, Gustavo Ouviedo, Gustavo Rangel e outros, estudantes, professores e demais companheiros que pensam uma Campos diferente deram esse exemplo. É preciso ter a coragem de colocar o "nariz de palhaço", a cara na reta, não ter medo do filme ou da foto que o vá deixá-lo mal na fita.

Aliás, é bom ressaltar o papel dos blogs, como núceo de mídia para se colocar como alternativa à imprensa de Campos, onde vemos de um lado A Folha da Manhã, defendendo quem está no Poder, com unhas e dentes, porque é quem paga regiamente as suas contas e de outro lado, o Diário, a serviço do grupo que quer chegar ao Poder. Ambos em detrimento do papel importante de dar cobertura isenta e imparcial aos fatos (estranho, por mais "invisível que fosse o Chega de Palhaçada, nenhum dos dois deram publicidade ao evento).

No Partido, nas eleições de 2006, sem recursos e apoio, nos constituimos na 3ª força eleitoral de Campos e a 1ª se não fosse permitida a compra deslavada de votos. Todavia, alguns anisiosos tomaram um outro rumo. Mas dá para recuperar. É hora de sentar, reconhecer os equívocos e usar uma ferramenta eficiente nestas ocasiões, que é o conversar, o entender-se, o deixar de lado o personalismo e a vaidade e retomar o que estava dando certo.

3 comentários:

J. Lopes disse...

Felix Manhães

Parabéns a todos os organizadores da manifestação de ontem.
Foi bonito ver as pessoas novamente na rua.
Porém, precisamos ter um mínimo de organização e um grupo articulado, para começar a agregar as pessoas e iniciar o movimento pela construção de uma terceira via.
Temos pouco tempo, para articular esse movimento e levá-lo ao conhecimento da maioria da população, buscando seu apoio e, finalmente sua participação.
Precisamos ir à luta.
È necessário que algum grupo (porque não, a parcela do PT, que não está comprometida com o governo Mocaiber?), ou alguém que tenha representatividade junto à sociedade de o ponta pé inicial.
Não devemos e não podemos ser sectários, não somos donos da verdade e da virtuosidade.
Esse movimento para dar certo e não morrer no nascedouro, como quase todos os movimentos de esquerda, tem que ser alegre, supra partidário, como foi a manifestação de sábado, e aberto a todos os campistas que estão interessados em colaborar na discussão de uma alternativa nova e viável, para a nossa cidade.
À hora é essa.
E como diria Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Um abraço

felixmanhaes disse...

Meu estimado companheiro J. Lopes. Penso da mesma forma e na mesma direção. Você também está de coletivo voltado para o bem da cidade. Não dá para nós deixarmos esses políticos picaretas fazerem a nós de bobos. Penso ainda que este Ato tem que continuar, foi lançada a incubadora de ações cívicas. O caminho é esse mesmo. Quero aduzir o seguinte. Existe uma população alvo muito interessante a ser chamada para participar dessas ações. Os Estudantes são atores que vão tomar conta do nosso futuro e por que não convocá-los fazer isso agora no presente. Com a palavra os nossos mestres e muitos deles estavam presentes ao Encontro. Além disso, meu prezado J.Lopes, estou sugerindo que ainda esta semana que se inicia, o Vitor Menezes, o Roberto Moraes, Ricardo André e os outros valoros bloguistas já marquem alguma ação para não deixar cair no esquecimento. Pode ser até uma reunião de todos. Apesar de representar um grupo de oposição dentro do Partido dos Trabalhadores, estou pronto, como cidadão a dar a minha singela contribuição para que esse Movimento não esfrie. Um abraço fraterno.

felixmanhaes disse...

Você está também de parabéns, pelo seu pensamento coletivo...

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