
Nem todos no PT concordam com o método, atalhos e práticas produzidas por alguns dos seus membros para chegar ao poder, movido pela ansiedade e pelo comodismo das "alianças".
Realmente, você pegar um cavalo no pasto, amansá-lo, cuidar dele, treinar, encilhar, dá um trabalho! No entanto, pegar um mangalarga, marchador, na porta, já selado, é meio caminho andado. Continuo pensando da mesma forma que penso desde quando entrei no PT, atraído pela sua forma democrática de fazer política, sem dono nem cacique e aonde o voto, a proporcionalidade e as instâncias ensejam o emplacamento de idéias, mesmo que de forma minoritária.
Não dá para você fazer aliança com quem pensa o poder, tendo como motivação principal alguns projetos pessoais que visam se dar bem. O visitante virtual sabe muito bem o porque, mas nunca é demais esclarecer. Quando você faz alianças com esse tipo de pessoas, em decorrência, vem a cumplicidade, a obrigação, o dever favor, o financiamento, o rabo preso e uma intimidade tamanha com o lado podre da política que, depois de eleito, você fica igual à maioria dos nossos vereadores, com aquela sonolência e subserviência que o levam a compor, sem direito de reação, a bancada de apoio daquele que o fez chegar ao Poder, em nome de uma "governabilidade" que tem o povo em plano secundário.
Na ausência desse parceiro ideal, sou favorável a uma caminhada solo. Mas para isso, é necessário conter a ansiedade. Fazemos parte da história, mas para fazer as coisas acontecerem demanda tempo e paciência.
Sempre sugeri, e continuo sugerindo que peguemos o Programa de Governo do PT, que tem tudo a ver com o bem estar da população, dar a ele uma versão didática, através de folhetins e levá-lo para discutir com os movimentos sociais. Mas para isso, é necessário saber quem pode fazer essa tarefa. Não dá para você chegar perto do eleitor com bafo de adesista inconsequente, nem aliancista com o lado nefasto da política. Mas esse é o caminho. No ato de ontem, já percebi que isso é possível.
Os jornalistas, a exemplo do Vitor Menezes e Ricardo André (foto), outros bloguistas como Roberto Moraes, Fábio Siqueira, Xacal, Gustavo Ouviedo, Gustavo Rangel e outros, estudantes, professores e demais companheiros que pensam uma Campos diferente deram esse exemplo. É preciso ter a coragem de colocar o "nariz de palhaço", a cara na reta, não ter medo do filme ou da foto que o vá deixá-lo mal na fita.
Aliás, é bom ressaltar o papel dos blogs, como núceo de mídia para se colocar como alternativa à imprensa de Campos, onde vemos de um lado A Folha da Manhã, defendendo quem está no Poder, com unhas e dentes, porque é quem paga regiamente as suas contas e de outro lado, o Diário, a serviço do grupo que quer chegar ao Poder. Ambos em detrimento do papel importante de dar cobertura isenta e imparcial aos fatos (estranho, por mais "invisível que fosse o Chega de Palhaçada, nenhum dos dois deram publicidade ao evento).
No Partido, nas eleições de 2006, sem recursos e apoio, nos constituimos na 3ª força eleitoral de Campos e a 1ª se não fosse permitida a compra deslavada de votos. Todavia, alguns anisiosos tomaram um outro rumo. Mas dá para recuperar. É hora de sentar, reconhecer os equívocos e usar uma ferramenta eficiente nestas ocasiões, que é o conversar, o entender-se, o deixar de lado o personalismo e a vaidade e retomar o que estava dando certo.