quinta-feira, 8 de maio de 2008

Lisboa, de Salazar. Campos, de Mocaiber


Em uma da reunião da Executiva do Partido dos Trabalhadores, com o Prefeito de Campos, Alexandre Mocaiber, realizado na Fundação Zumbi dos Palmares, me veio à lembrança a minha última viagem que fiz a Portugal e a Grécia, para participar de Congressos de Trabalhadores Telefônicos, pela IPCTT (Internacional de Trabalhadores em Correios e Telefonia).

Chegando à Lisboa, em uma sexta-feira, com a devida antecedência para participar, já à partir da próxima segunda-feira do Congresso, ficamos hopedado no Hotel Holliday In, no centro novo da capital portuguesa, bem em frente ao Campo do Sporting Lisboa, onde tivemos o prazer de encontrar o jogador Branco, tetra-campeão pelo Brasil, à época jogando em Portugal.

Além das conversas animadas e até acirradas com companheiros argentinos sobre futebol, no saguão do hotel, para sabeer quem foi melhor, Maradona ou Pelé, um fato interessante nos ocorreu naquela noite de de folga, na terra do Cabral, o outro.

Por sugestão do nosso anfitrião José Rodrigues, também trabalhador telefônico, fomos aconselhados a nos deslocarmos até o centro histórico de Lisboa, para conhecermos um pouco da história portuguesa. Confesso que além dos castelos, Portugal, mais precisamente Lisboa muito parece com o centro velho do Rio de Janeiro. Mas no percurso, um fato interessante ficou registrado na nossa memória.

Ainda por sugestão do José Rodrigues, fomos todos de metrô. No caminho, o primeiro embaraço. Quando nos aproximamos de uma autopista, esse é o nome que eles dão às suas ruas, paramos ao lado dela. Também os carros que vinham em nossa direção, também pararam. Olhamos e não vimos nenhum sinal. Ficamos indecisos, mas puxados pelo patricio, atravessamos calmamente a autopista. Quando chegamos ao Centro Histórico de Lisboa, ao saborear um bom e velho vinho, indagamos a respeito. Ele nos informou que em Portugal era assim mesmo, quando os pedestres tocavam com os pés a autopista, os carros paravam para que a gente passasse.

Todavia, ainda a caminho para o centro de Lisboa, um fato mais importante nos impressionou. Não que o metrô de Portugal fosse diferente, não. Lá também fica em baixo terra. No entanto, quando descemos até a Estação próxima ao Estádio do Sporting, nos supreendemos. Não haviam aquelas roletas, como temos no Rio de Janeiro e São Paulo. Era uma escadaria, com mais ou menos um 50 metros. Fomos quase atropelados por uma portuguesada que, em desabalada corrida, desceu os seus degraus e entraram no trem que acabara de chegar. A princípio ficamos assustamos, mas o José Rodrigues nos apontou um peque guiche, onde deveríamos comprar os nossos bilhetes. E pensei comigo. Se fosse no Brasil, os caras levariam até o trem.

Logo estávamos em uma velha hospedagem, onde para variar, pedimos bacalhou e vinho. Durante o jantar, o José Rodrigues nos contou. Aquilo que vimos no metrô era comum em Portugal, que naquela época acabara de ser preparado, com grandes investimentos, para entrar no Mercado Comum Europeu. Aqueles portugueses que vimos invadirem o metrô, tinham credenciais para o mês todo e era assim mesmo. No entanto, aleatóriamente, de vez em quando, um daqueles comboios eram desviados para uma linha auxiliar e uma inspeção federal acontecia. Quem não estivesse com a credencial ou com o bilhete, era cadastrado negativamente e não poderia usar mais o metrô em território português. E, se fosse apanhado pela segunda vez, era prisão sem direito à fiança.

Todavia, aquele procedimento cidadão dos seus patricios não era de agora, havia sido começado com o Presidente Augusto Salazar, nos idos 1940 a 1950. O nosso companheiro telefônico nos contou que o Salazar, quando ocupou a Presidência de Portugal, que tinha uma administração muito parecida com a que temos aqui no Brasil, resolveu verificar, por si mesmo, a quanto andava a administração do bem público português. O que ele fez. Travestiu-se de uma pessoa simples do povo, um pouco escorraçada, quase um mendigo e foi verificar o atendimento do funcionalismo público.

Ao chegar as 8 horas da manhã à Caixa de Pecúlio, que corresponde ao nosso INSS, ele aguardou na fila da Agência, até às 10 horas, horário em que a Chefe da Agência chegou para trabalhar. Como era o primeiro da fila, foi logo indagando da funcionária:

- Por que a senhora chegou às 10, se o horário de abertura da agência era às 8 horas?

A funcionária respondeu ao ancião de forma ríspida:

- Não é da sua conta. Se o senhor quer ser atendido, me diga o que queres?

Sem se alterar, o " velhinho" prosseguiu:

- Não, eu quero saber da senhora por que chegastes às 10, se o seu horário é às 8horas.

Mais irritada ainda, a moça retribuiu.

Olha, senhor, eu não estou aqui para brincadeira, se o senhor não quer nada, dê o lugar para outra pessoa. E logo se dirigiu ao segunda fila:

- Me dá licença, e o senhor o que deseja.

Mas o velhinho, impediu o atendimento e disse para a moça:

- Olha aqui, minha senhora, me deixa comunicar uma coisa, a partir de amanhã, a senhora e todos os funcionários deste posto estarão demitidos.

A senhora rindo, solicitou ao segundo da fila:

- E o senhor o que quer, eu não tenho tempo a perder.

O fato se confirmou, no dia seguinte, todos os funcionários daquela Agência foram demitidos. Aí, contou-nos o companheiro José Rodrigues, criou-se um pavor em toda a Portugal, com medo de que o "velhinho" pudesse aparecer em uma das filas de atendimento do serviço público.

Esta história nós contamos para o Sr. Prefeito, naquele encontro na Zumbi dos Palmares. Dissemos para ele que ele não precisava imitar o Salazar, mas que melhorasse a sua interlocução com a sociedade, totalmente abafada pelos seus assessores, que impediam que ele ouvisse as vozes roucas da rua que diziam que ele era um péssimo Prefeito. Certamente que ele deve ter imaginado que nós éramos algum companheiro idiota e que vivíamos no mundo da lua.

5 dias depois deste encontro, aconteceu o fatídico 11 de março, onde a Polícia Federal e o Ministério Público Federal efetivaram a operação Telhado de Vidro.

4 comentários:

J. Lopes disse...

Felix manhães

O Monitor Campista de hoje (09 de maio), na pagina de política, traz a noticia sobre uma reunião, que será promovida pelo PT, para discutir os nomes que irão representar o partido nas próximas eleições.
Essa reunião deverá acontecer na próxima terça – feira, dia 13 de maio, às 19 horas, no auditório da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic). E segundo Hugo Diniz, presidente do PT “ a reunião é aberta ao público e é para qualquer um que quiser participar do processo”.
Acredito que essa reunião, possa vir a ser o embrião da organização político eleitoral da Terceira Via. Para que isso aconteça, será necessário que os membros do partido, tenham o espírito desarmado e percebam que estamos vivendo um momento único e que não podemos desperdiçar essa oportunidade.
Devem deixar de lado o purismo, o sectarismo, as velhas e burras pecuinhas, as vaidades e os interesses pessoais, e pensar grande, em montar um projeto político inovador, agregador e com viabilidade eleitoral que empolgue a sociedade.
Essa idéia da Terceira Via que surgiu meio descompromissada, já está empolgando um segmento importante da sociedade e começando a sensibilizar alguns partidos. Para minha surpresa, vi hoje no blog do Roberto Moraes, o presidente do PSDB, Robson Colla afirmar: “Ao PSDB cabe, neste momento, se reagrupar e buscar, com toda a sociedade civil organizada, montar um projeto de governo que seja baseado em uma administração técnica e de resultados, envolvendo todos os partidos políticos que comunguem deste ideal. Sem imposições, sem restrições. Campos é maior do que qualquer político ou partido e precisa, neste momento terrível de sua história, da ajuda de todos”.
Por acreditar que o único caminho possível, para viabilizar eleitoralmente, uma candidatura alternativa a esse grupo dominante, que está no poder a vinte anos, seja através de uma grande e forte aliança, entre alguns partidos politicos e a sociedade campista, que está envergonhada e decepcionada com todos os desmandos que estão ocorrendo no município. Sugiro que o diretório do PT aproveite a oportunidade e organize um debate, na próxima terça – feira, às 18 horas, na ACIC, antes da reunião do PT, sobre a Terceira Via e convide para o debate o presidente do PSDB, Robson Colla, e os filiados dos dois partidos, além é obvio, a sociedade campista.
Um abraço

felixmanhaes disse...

Meu fraterno companheiro J. Lopes, ultimamente embora não tenha postado nos blogs, faço uma visita diária a todos eles. Concordo com a sua opinião. Afinal, fui um dos responsáveis pela realização dessa reunião, como também da viabilização de uma conversa franca entre o Roberto Moraes e o Mackoul, onde estive presente. Sempre defendi que uma excelente ferramenta para resolver as coisas é conversar. Não adianta ficar considerando ou criticando de longe. Tem que chegar para perto, tem que estar dentro para tentar mudar o rumo das coisas. O nome do Roberto é excelente, mas ele ficou muito tempo afastado dos ambientes internos do Partido, onde as conversas caminharam, inclusive com a participação da oposição que eu, o Fábio Siqueira, a Juventude PT e o Núcleo de Goytacazes, representamos. Sabe como é. É como você começar a construir uma casa, onde as fundações foram fincadas e os tijolos colocados até a metade. É possível derrubar para fazer de novo. No entanto, fica mais difícil, pelo tempo que se perdeu.
Mas sou favorável que todos os atores do bem, aqueles que tem projetos coletivos acima dos projetos individuais, estejam no mesmo ambiente, desprovidos de vaidade, revanchismo, cabeças duras e tentemos achar uma alternativa para essa pouca vergonha cívica que assola a nossa cidade. Vou estar lá, quero conhecer o companheiro.Espero que os companheiros de outros partidos também etejam. Um abraço.

J. Lopes disse...

Felix Manhães

Para bom entendedor, um pingo é letra.
Pelo que entendi no seu postado acima, salvo melhor juízo, a possibilidade de surgir algo, novo nas próximas eleições, a partir da vontade da direção do PT de Campos, é quase impossível, para não dizer totalmente impossível.
O que você deixa transparecer, é que as soluções a serem apresentadas, na reunião de terça–feira, serão as mesmas viciadas e equivocadas de sempre.
Só resta lamentar.
O partido que ajudei a fundar, quando estudante, cresceu, chegou ao poder, e deixou a ideologia, a ética, os ideais e os desejos de mudança de lado, para assumir a defesa dos interesses de grupelhos e/ou particulares, geralmente inconfessáveis, que inclusive, estão dentro do partido a relativamente, pouco tempo.
O que já era de se esperar com a chegada do partido ao poder.
O poder sempre atraiu os políticos oportunistas, que a única ideologia que possuem é a dos seus interesses pessoais. E em Campos não é diferente, se formos observar a trajetória política dessas pessoas, boa parte delas, passou por partidos conservadores, antes de chegar ao PT. Vieram para o partido, não por identidade ideológica, mas sim pelo poder ou por falta de espaço nas legendas conservadoras, para as suas vaidades, interesses e projetos pessoais.
Ainda tenho esperança, que a maioria silenciosa do partido, deixe o medo e a acomodação de lado e imponha, de forma democrática, é claro, a sua vontade, de buscar uma alternativa, ainda para está eleição, que seja realmente nova, que não seja personalista e que não esteja comprometida com as oligarquias de Campos.
Caso isso não aconteça só restará, no futuro, lamentar e fazer a velha autocrítica de sempre, em uma mesa de bar, sem assumir, é claro, os erros cometidos e defender as velhas teses, que o povo não sabe votar e deixa se “comprar” por quaisquer “trocados” ou promessas. Além de aplaudir a eleição “democrática” de Arnaldo ou do candidato do Garotinho.
Certamente os analistas do partido, que gostam de matemática e estatística, irão constatar que a quantidade de votos nulos, que será muito grande, devido a falta de opção e ao desencanto com a política e os partidos locais, por parte da população campista, somados aos votos que o PT e o PSDB tiveram, possibilitaria a eleição do candidato da Terceira Via, caso ela tivesse existido.
Mas ai já será tarde.

Um abraço

felixmanhaes disse...

Meu fraterno companheiro j. Lopes, como deves ter acompanhado pela imprensa, fui um dos responsáveis, junto com o Roberto Moraes, Luciano D'Angelo, Fábio Siqueira, a turma da Juventude do PT e o Coordenador do Núcleo de Goytacazes,Isaías Pacheco e ainda o Robinho Siqueira, pela construção de uma oposição interna no PT, hoje ocupando 11 das 36 cadeiras, incluindo 2 na Executiva, nos colocando contra a idéia de se fazer um chapão, já que sempre fomos contra a aliança com o Governo Mocaiber. Lamber o leite no chão, não é o ideal. É mais salutar sorvê-lo, enquanto no pires. Mas, reflitamos. Tenho observado diversos companheiros, incluindo o valoroso companheiro j. Lopes, simpatizantes porém decepcionados com a condução que a maioria deu ao Partido. Lá atrás, em 2 de dezembro de 2007, foi uma grande ocasião para que nós tivéssemos dado um novo norte ao PT, já que a minha proposta mór, além da verdadeira democratização do partido, seria a saída do governo Mocaiber. Alguém poderia dizer. Mas por que com Félix para Presidente. Não foi nenhum projeto personalístico, não. Todavia, eu era a pessoa que fora convidado para compor um chapão e não concordara, porque mesmo como minoria, estava nos ambientes onde eram feitos os debates. Assim, lançamos uma chapa, que obteve uma grande e importante adesão com os companheiros acima citados. A partir de janeiro, já estaríamos fora do Governo Mocaiber, dando um novo verniz ao PT e trabalhando na construção, junto com outras legendas, de uma alternativa para a cidade de Campos. Mas onde andavam os outros companheiros que poderiam nos ajudar nesta empreitada difícil. Na minha humilde concepção, pingo é pingo, letra é letra. Apesar de instados, convidados, alguns importantes nomes só atenderam ao convite para sentar e conversar, já no começo de maio-2008. Mas isso não quer dizer que existe uma proposta fechada, embora saibamos da nossa incômoda condição de minoria, nós vamos estar naquele encontro do dia 13, com a idéia de que nasça de um debate honesto e sem cabeças duras, um nome que congregue, mobilize e agregue mais pessoas, entidades e partidos em benefício desta necessária terceira via.
Espero que os companheiros peguem de volta nos armários das frustrações as suas estrelas e venham usar a ferramenta que mais sabem e devem utilizar que é o conversar, o entender-se. Meu caro J. Lopes, quero reafirmar. Mesmo que deste encontro e de outros que porventura aconteçam, não saia a solução ideal para todos, quero lhe fazer um convite. Venha para o debate, você como fundador sabe que o PT ainda é o melhor caminho, pela sua característica das instâncias vivas, pela sua proporcionalidade e o voto, que afugentam os donos e os caciques que infestam os outros partidos, para se trabalhar na árdua tarefa de aniquilar os políticos parasitas sociais e dar impulso aqueles que pensam o coletivo e numa direção que não seja o próprio umbigo. Um abraço e até o dia 13.

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