sexta-feira, 23 de maio de 2008

Política e Futebol Duas Histórias que Podem ser lguais




PRIMEIRA HISTÓRIA




Zé do Povo fora dormir tarde naquele sábado. Afinal separar chuteiras, calções, meiões e as bolas, tomara um bom tempo seu, depois que chegou em casa. Bem aposentado, com bom salário e uma boa suplementação que conseguira após 30 anos de trabalho em uma Estatal, sua renda era complementada pela fundação da sua antiga Empresa, o que lhe dava uma boa folga no orçamento e independência financeira

Para ocupar o tempo ocioso, era uma voluntário na Escola Pública do bairro, onde fazia pequenos serviços de marcenaria, bombeiro hidráulico e pintor de paredes. Ao dormir, sua cabeça estava voltada para o final do campeonato soçaite para amadores, onde sua equipe chegara a partida final, com bom desempenho, o que lhe impedira de ter uma boa noite de sono. Mesmo assim, acordou com muita disposição. Após tomar o seu café, colocou o material no carro e partiu para o campo onde seria disputada a final.

Não abriu mão da sua tarefa de distribuir as camisas. Tinha muito prazer em entregar a camisa 10 para Afrânio, o artilheiro do time, que já estava sendo sondado para jogar em um clube profissional. E, mais uma vez, ele não decepcionou. Aos 40 minutos do segundo tempo ele mexeu no placar, fazendo um belo gol, que dava o título ao seu Esperança Futebol Clube. Com o apito final, ele teve a experiência de ver o mundo de cabeça pra baixo, ao ser lançado para o alto pelos jogadores do seu time, prestando-lhe a devida homenagem pela dedicação e apoio que dava a todos os membros da equipe. Depois que os jogadores tomaram banho, ainda no vestiário ele anunciou.

- Na saída, passem todos na mercearia do Sr. Gomes para a gente comemorar o título.

E isso tudo ele fazia, com muito prazer, arcando com a maioria das despesas do seu bolso, só pela satisfação de ver a bola rolando e pessoas felizes atrás dela.


SEGUNDA HISTÓRIA

Antonio Beque era vereador na Câmara Municipal da cidade. Naquele dia estava exultante de alegria. Mesmo em minoria, ele havia conseguido fazer aprovar o seu projeto que criava o Conselho Comunitário de Controle dos Gastos da Prefeitura. Com a sua aprovação, o projeto limitava as ações do desastrado Prefeito, uma vez que o orçamento passava a ser participativo, com uma atuação direta da população, dizendo o que gastar e em que gastar, estabecendo prioridades. Esse seu projeto já estava engavetado na Secretaria da Câmara, há mais de 4 meses. Foi quando pediu a população que o elegeu para fazer manifestações em frente à sede do Legislativo Municipal. Panelas, apitos, buzinas, quase impediam o discurso do orador que se dirigia aos vereadores, cobrando deles a aprovação do Projeto. Mas valeu a pena, era a quarta vez que aqueles quase 600 manifestantantes de bandeiras em punho pressionavam .

O Prefeito acabara de ser avisado por telefone pelo líder do Governo que o Projeto fora aprovado.

- É Sr. Prefeito, não teve jeito, o homem tem o apoio do povo!

Antonio Beque já estava no seu segundo mandato, sendo o mais votado da cidade. O seu partido, durante esses anos, havia aumentado em muito a filiação aos seus quadros. Afinal muitos queriam pertencer ao mesmo partido daquela liderança que já se tornara ídolo na cidade. Além disso, todos os recursos advindos do exercício do mandato, incluindo o seu salário, eram destinados ao crescimento do Partido e a ajuda a projetos comunitários da sua cidade.

Muitos o questionavam, alegando que todo aquele dinheiro poderia dar a ele e aos seus familiares uma vida com mais conforto e ele poderia viajar a lugares mais distantes, inclusive para o Exterior. Mas Antonio Beque tinha outras alegrias, que eram compartilhadas até pela sua família. A de ver o seu município, mesmo a contra gosto do Executivo, administrar os recursos públicos em benefício da população. E ele, indiretamente, se beneficiava já que a saúde, a educação, a segurança e os empregos na sua cidade, estavam bem melhores do que a cidade vizinha.


A NOSSA HISTÓRIA.

A cada vez que vejo na televisão um político dizer que acaba de ser escolhido o melhor prefeito do Brasil e, ao mexer na televisão, ver em outro canal um político de outro partido dizer o mesmo, não me impressiono. Na realidade nós sabemos quais motivos que levam esses institutos a dar esse título para dois políticos diferentes.

O que me impressiona é o desânimo e o desinteresse dos homens de bem chegando ao ponto de deixarem nas mãos dos canalhas a condução da política que, em última instância, é reflexiva sobre a vida de todos eles, influenciando sobre a saúde pública que colocam a sua disposição, hospitais sem vaga, ambulários sem datas para consultas e farmácias públicas sem remédio. Com esse desinteresse dos homens idôneos, a violência cada vez mais se acerca dos seus muros e ameaça constantemente pular para dentro das suas casas e roubar até o que de mais valoroso eles e a sua familia tem - a vida.

Quando o homem honesto deixa por conta dos malfeitores, dos saqueadores dos cofres públicos, a condução dos destinos da sua cidade, a escola pública sem professores e sem qualidade e constantemente em greve, é o que está reservado para os seus filhos, enquanto os políticos e seus apadrinhados frequentam, via "bolsas de estudos" as melhores escolas particulares e universidades, em uma total inversão de valores.

Aí, companheiros bloguistas, a exemplo da segunda história, deve haver entre nós e vou logo adiantando que essa pessoa não sou nem serei eu, a não ser que me obrigem, um "Antonio Beque" que possa materializar essa história, destinando parte do seu tempo para tocar um projeto similar, até porque a jornada de trabalho dos vereadores não passa de no máximo 24 horas por mês, assim mesmo para fuzilarem os interesses da população.

Está lançada a sugestão para ser discutida na Rede Blog. Só peço que não me chamem de louco ou de sonhador. Mas alguma coisa tem que ser feita e podem contar comigo. Chega de Palhaçada.


2 comentários:

Anônimo disse...

Ao ler a Folha da Manhã deste Domingo, que ao que tudo indica se tornou a principal articuladora da Terceira Via em nossa cidade, o que não deixa de ser uma decepção, ver essa bandeira indo para mãos ultra-conservadoras e oportunistas, me deparei com uma entrevista com Zito, presidente do diretório estadual do PSDB e com Alberto Cantalice, presidente do diretório estadual do PT.
Zito ao que parece, está por dentro dos fatos políticos de Campos, além de se mostrar favorável a formação de uma Frente pela Terceira Via, mas não é nele ou em suas posições que vou me deter.
Quero levantar algumas questões a respeito do presidente estadual do partido, Alberto Cantalice.
Cantalice deixou claro, durante a sua entrevista, que não está a par dos acontecimentos políticos e das disputas partidárias em Campos. Essa desinformação com relação ao partido no município, é uma grande falha, não por estarmos em ano eleitoral, e sim devido às ocorrências políticas/policiais mais recentes que envolveram o governo municipal, que o partido integrava, além ter filiados ao partido envolvidos diretamente no escândalo.
Porém, o espanto maior foi ele deixar transparecer que o partido em Campos tem dono, quando questionado sobre uma possível aliança ele afirma: “Precisamos ouvir isso do Makhoul (Moussalém)”.
Até bem pouco tempo atrás, O PT tinha por tradição, por ser um partido democrático, ouvir os filiados, os delegados ou o diretório, não uma determinada pessoa. Parece que em Campos e no estado do Rio de Janeiro é diferente.
Após ler, essa entrevista, chego à conclusão que a professora Odisséia não estava falando em seu próprio nome e sim em nome de um grupo que hoje é majoritário, dentro do partido no município e do diretório estadual. Essa conclusão veio após ler os seguintes trechos da entrevista, dada por Alberto Cantalice “Nós estamos examinando a possibilidade da candidatura própria, como estamos examinando outras possibilidades. Nós temos um diálogo com o PDT, pouco conclusivo. É fundamental saber como estão os nossos companheiros aí.”, e mais adiante ainda afirma: “O PDT é da base aliada do Lula, então na verdade é o PDT que tem entendimento de aliança conosco. O que pode acontecer é a conveniência local não colocar a gente no mesmo palanque”.
E só pegar a entrevista da professora Odisséia e ver que o ponto de vista dela, é o mesmo e que até as palavras não mudaram.
Agora uma provocação.
Por que não uma aliança com o PMDB?
Ele é o maior partido da base aliada do governo Lula.
È o partido do maior amigo (sic) do presidente o Governador Sergio Cabral, que inclusive abriu mão do seu candidato a prefeito do Rio, para apoiar o candidato do presidente.

felixmanhaes disse...

Penso que o leque de conversações nessa fase de fechamento das preliminares para a eleição, tem que se ampliar, inclusive para o PMDB, que também faz parte da base de apoio ao Presidente Lula. Nas votações na Câmara, assíduamente aparecem em torno de 90 votos para dar governabilidade ao Governo Federal. Não entendemos esse temor que alguns companheiros tem de Garotinho. Conversas nesse sentido nós, junto com o companheiro Robson, já iniciamos com Roberto Henrique e desejamos ampliar, desta feita no plenário da Executiva, até por que nos 43 dias interinos do Governo de RH, ele deu a demonstração inequívoca que é totalmente diferente das posturas adotadas por Arnaldo e Mocaiber no trato da coisa pública, levando a cidade a ser motivo de chacota nacional, pondo em risco inclusive a atual norma de distribuição de royalties.

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