quinta-feira, 2 de abril de 2009

Joãozinho, o nosso pedido de desculpas.

Quis o destino pregar uma peça no josso mano Joãozinho. Morrer no dia 1º de abril. Não dá para acreditar. Mas é verdade. Ele morreu vítima de leptospirose, que lhe provocaram inúmeras outras complicações comuns a esse tipo de enfermidade. Mas outros motivos secundários, também contribuiram sobremaneira para o episódio final.
No sábado, foram feitas vários contatos para que ele já com alguns sintomas da doença, fosse transportado por alguma ambulância oficial. Mas não se localizou nenhuma. Graças à caridade de alguns amigos, ele foi transportado para o Hospital Geral de Guarus, onde no mesmo sábado foi internado. Lá, apesar dos sintomas aparentes, os familiares foram informados de que um exame comprobatório só sairia em torno de 5 dias. Desprovidos de recursos, fazer o que. Apenas aguardar e confiar no tratamento que estava sendo efetivado. Mas para Joãozinho, a pegadinha do 1º de abril era mesmo a vera. Com o agravamento do seu estado, foi transferido para a UTI
mas ele não resistiu - o seu destino foi a pedra, estava morto.
Homem simples e de poucos recursos, seus familiares tentaram junto a CSU de Guarus, uma isenção para o sepultamento. Negaram o pedido, sob a alegação de que ele já havia sido atendido pelo Plano Boa Viagem e a Prefeitura só atende se for com a total cobertura. No entanto, do outro lado, o Plano Boa Viagem só cobre as despesas de urna, flores e remoção. Despesas com o velório e sepultamento, ficam por conta dos familiares. Azar
do Joãozinho, pra que ele foi fazer parte da relação de dependentes do Plano
de uma pessoa amiga. Só por isso, ele foi punido. A Secretaria de Ação Social nada poderia fazer por ele. Joãozinho morto, Joãzinho posto. E se ele tivesse conseguido a ambulância oficial para fazer o seu transporte, teria tido outro destino que não a horizontal. Mas a certeza continua a mesma que digam aqueles que ficam pelos corredores da saúde pública - só lhes resta pedra.
Joãzinho, vai aqui o nosso pedido de desculpas. Desculpe, mano em nome das pessoas que prometeram e não cumpriram e as ambulâncias não apareceram. Desculpe, pelo serviço médico que você teve a sua disposição para evitar a sua dor maior. Também desculpe pelas promessas de campanha que ainda não desceram do palanque e o destino dos anônimos parece que por um bom tempo vai ser a pedra. Desculpe, Joãozinho, a burocracia da Assistência Social da Prefeitura que, mesmo você pagando com a vida a desassistência oficial, seus familiares ainda tiveram que pagar as taxas de sepultamento, que não são baratas para quem ganha o mínimo. Desculpe, meu irmão Joãozinho, o Cazuza continua com razão. Essa piscina está cheia de ratos e as idéias não correspondem aos fatos. Descance em paz, meu irmão Joãozinho.

3 comentários:

Anônimo disse...

Félix, meus sentimentos. Não sabia que o Joãozinho, que conheço de há muito na rua do homem em pé era seu irmão. Que cara maravilhoso ele era. Mesmo com as dificuldades para andar e para viver, sempre tinha um sorriso e um bom papo para oferecer. Concordo com o texto. O nosso Joãozinho deve estar batendo um papo com o Cazuza sobre vida, morte e principalmente sobre a piscina cheia de ratazanas.

Ailton de Oliveira

RANZINZA POLÍTICA disse...

Fala companheiro e tio Félix,a nossa dor é realmente dilacerante.E o pior é que este fato poderia ter sido evitado se as pessoas recebecem outro tratamento,fossem tratadas com dignidade;estou muito decepcionada com a nossa cidade estamos vivendo num circulo vicioso,to muito cansada.
Todo muito promete e ninguem cumpre.Joãozinho foi o cara que sempre passou pelas nossas vidas trazendo muitas alegrias e bruscamente nos deixou pobre Joaozinhoou sera pobre de nos pelo menos ele não esta mais sofrendo e nós quanto sofrimento somos obrigados à participar de uma sociedade podre em quem não tem recursos como o Joãozinho morre sem muito consolo e o rico tem todo o comforto, uma sociedade em que os patões na sua maioria exploram os empregados, uma sociedade que não tem cuidado com as crianças que ainda não nasceram e exclui o idoso afinal de contas quem é o coitado o Joãozinho ou nós?

RANZINZA POLÍTICA disse...

Na verdade a letra desta música deveria ser assim:Esta sociedade esta cheia de ratos e as promessas não correspondem aos fatos, e isso não para e isso não para,não para não!

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