terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ACENDE UM FAROL VERMELHO


O triste episódio do último fim de semana na Praia do Farol de São Tomé, onde algumas pessoas perderam a vida e outras a tranquilidade, deve servir como um farol vermelho que acende na tela da consciência das pessoas que tem a seu cargo o compromisso de gerir a coisa pública.

Apontar culpados não seria uma boa alternativa, uma vez que essa explosão de violência foi detonada por um estopim construido e humedecido com o combustível do descaso ao longo de inúmeros anos.

A passagem a 1 real por si não é a culpada nem pelas mortes nem pelo desespero das pessoas que sabiam para onde ir. O show em si também não. Ele traz em si a possibilidade da descontração e da alegria.

Aqueles jovens que sairam de casa armados, amados ou não, não tiveram outra opção. Foi o que ofereceram para eles. Perderam a esperança e a fé nas pessoas, no seu país e nos políticos. O diálogo acabou e a linguagem é a arma. A vida, a sua vida e a dos outros, vale tanto quanto ou menos que 1 real. Matar ou morrer é uma questão da vez, já que outros se encontram na fila. Tanto para um quanto para o outro o show já terminou.

Hoje é apenas uma mancha de sangue na calçada ou na areia. Amanhã apenas mais um número para completar os espaços vagos nos jornais e as estatísticas. O tempo passa rápido, logo será esquecido porque outros também já estão na fila. O único sentimento que fica e perdura muito tempo é o choro da mão que perdeu seu filho. O caos já está próximo, já dá para avistar, quase tocar com a mão. É um mal irreversível. É o fim.

Em todo esse contexto nacional e único, a cidade de Campos dos Goytacazes é uma privilegiada. A Prefeita Rosinha, mãe e evangélica que é tem em suas mãos a grande chance. O orçamento para 2010 (1,5 bilhão) dá e sobra para mudar a cena e o vermelho que mancha a nossa reputação de cristãos. Pode dispensar qualquer marqueteiro político, seja Duda Mendonça ou o do Obama, e até remanejar as verbas com a publicidade, que a sua reeleição ou eleição para o cargo que desejar estão garantidas.

As prioridades tem que ser prestigiadas. Basta aparecer médicos nos postos de saúde e os medicamentos não ficarem pelo caminho. Nunca é demais sugerir uma medicina preventiva que é muito mais barata e menos dolorosa. Os resultados vão aparecer, e a necessidade dos cabos eleitorais profissionais perderão o sentido, porque o voto naturalmente virá de graça. Basta remunerar bem a professora e os profissionais do ensino, engrossando a merenda e o saber dos garotinhos e garotinhas.

Aquele menino que atirou, além de tirar a vida de um semelhante, jogou fora a sua própria vida, virou um lixo. De quem ele estava a serviço? Talvez se há mais tempo tivesse sido alterada a lei do FUNDECAM ele hoje fosse um pequeno empreendedor e na sua janela um outro horizonte que nãos as grades. No entanto, esse fundo durante muito tempo ficou a serviço quase virtual de alguns que poucas possibilidades produziram.

Recuperar os que já estão envolvidos é tarefa quase impossível, eles já foram dominados, perderam a fé. Mas os que estão chegando devem ter a sua disposição alguma possibilidade de adquirir alguns compromissos sociais e sobreviver dignamente.

No próximo verão queremos ouvir apenas o som da música e da euforia dos meninos e meninas com o seu futuro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente análise, Félix! Diferentemente da vereadora, que incluiu a passagem de R$1,00 em suas avaliações como fator que também corroborou para tal episódio.
Sou usuário e não me considero causadora de violência, vereadora. Tinha esperanças em tí, mas com tal postura, com essa visão preconceituosa, fiquei muito decepcionado...

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