quarta-feira, 3 de junho de 2009

A VERDADEIRA MUDANÇA, AS QUEIMADAS E O CRÉDITO CARBONO


Os matutinos de hoje estampam em suas manchetes o desrespeito pelas usinas aos trabalhadores ligados ao corte de cana de açúcar. Quando se fala em agressão, outro ente não menos importante também é agredido - a natureza. Essa matéria nos faz pensar em outros temas também ligados à indústria de álcool e açúcar. A Lei Federal n. 9.605, de de fevereiro de 1998, que em seu artigo 54, parágrafo 1º, indica pena de seis 6 meses a 4 anos e proibe as queimadas em todo o território nacional. Aqui em Campos, a queima de canaviais é um processo que apesar da proibição legal, continua praticamente em todo o município. Não sabemos se existe um lei municipal regulamentando o assunto, levando-se em consideração que não existem mecanismos de vigilância e/ou cobrança para inibir essa ação que inferniza a vida de muita gente, pelo transtorno da queda da fuligem (neve preta), com implicações sérias na saúde das pessoas, particularmente relacionada às doenças respiratórias.Se não existe essa lei municipal, está aí uma excelente alternativa para os nobres edis se mostrarem mais produtivos e menos previsíveis. A Prefeita Rosinha tem nas mãos uma cidade e um orçamento que dão a ela, se quiser, oportunidade para entrar na história política de Campos dos Goytacazes, principalmente no que se refere ao meio ambiente - auxiliar no cumprimento dessa Lei Federal, mesmo que seja secundariamente sustentada por uma lei municipal. Para isso, os recursos do FUNDECAM servem perfeitamente para incentivar o fim das queimadas. Além do mais hoje, com os Projetos MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo), existe toda uma série de contrapartidas referenciadas ao Crédito Carbono. Uma das justificativas para a queima da cana é o aspecto financeiro. A mão-de-obra com a cana queimada sai mais barato para a usina. No entanto, muito mais cara para o cortador e danosa para a população. Quem não se lembra, principalmente os oriundos do interior do tempo em que nos canaviais eram cortados na palha e nessa condição, verificava-se a presença de várias espécies de aves, do tipo codorna-perdiz, ciriemas, inhambus, pocassus, além de outras, de porte menor, que no interior das linhas de cana, faziam os seus ninhos. Era bonito se ver ao amanhecer, nos aceiros, uma infinidade de coelhos, lavando suas caras, perfilados entre a cerca e os campos. O que se viu nos últimos governos foi uma total insensibilidade para o assunto meio ambiente, prova disso é que as queimadas continuam, os rios estão mais poluidos e alguns mortos e as lagoas, a exemplo da Lagoa do Vigário, com os seus espelhos d'agua extremamente reduzidos com os aterros oficialmente permitidos e transformados em depósitos de esgoto a céu aberto. Qualquer iniciativa nesse sentido, vale muito mais que centenas de inserções de vinhetas publicitárias nos jornais, rádio e tv. A população que elegeu Rosinha optou por mudança e isso precisa acontecer. Quando a população olhar pela janela e não tiver a surpresa desagradável de sentir-se nos Alpes Suiços, só que a neve que lhe invade a casa não pode ter uma cor diferente.

Um comentário:

Anônimo disse...

Realmente, Félix, a Lagoa do Vigário é um exemplo bem claro de que os últimos governos não deram a mínima bola para o meio-ambiente. Virou uma vala negra a céu aberto.

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