Quis o destino pregar uma peça no josso mano Joãozinho. Morrer no dia 1º de abril. Não dá para acreditar. Mas é verdade. Ele morreu vítima de leptospirose, que lhe provocaram inúmeras outras complicações comuns a esse tipo de enfermidade. Mas outros motivos secundários, também contribuiram sobremaneira para o episódio final.
No sábado, foram feitas vários contatos para que ele já com alguns sintomas da doença, fosse transportado por alguma ambulância oficial. Mas não se localizou nenhuma. Graças à caridade de alguns amigos, ele foi transportado para o Hospital Geral de Guarus, onde no mesmo sábado foi internado. Lá, apesar dos sintomas aparentes, os familiares foram informados de que um exame comprobatório só sairia em torno de 5 dias. Desprovidos de recursos, fazer o que. Apenas aguardar e confiar no tratamento que estava sendo efetivado. Mas para Joãozinho, a pegadinha do 1º de abril era mesmo a vera. Com o agravamento do seu estado, foi transferido para a UTI
mas ele não resistiu - o seu destino foi a pedra, estava morto.
Homem simples e de poucos recursos, seus familiares tentaram junto a CSU de Guarus, uma isenção para o sepultamento. Negaram o pedido, sob a alegação de que ele já havia sido atendido pelo Plano Boa Viagem e a Prefeitura só atende se for com a total cobertura. No entanto, do outro lado, o Plano Boa Viagem só cobre as despesas de urna, flores e remoção. Despesas com o velório e sepultamento, ficam por conta dos familiares. Azar
do Joãozinho, pra que ele foi fazer parte da relação de dependentes do Plano
de uma pessoa amiga. Só por isso, ele foi punido. A Secretaria de Ação Social nada poderia fazer por ele. Joãozinho morto, Joãzinho posto. E se ele tivesse conseguido a ambulância oficial para fazer o seu transporte, teria tido outro destino que não a horizontal. Mas a certeza continua a mesma que digam aqueles que ficam pelos corredores da saúde pública - só lhes resta pedra.
Joãzinho, vai aqui o nosso pedido de desculpas. Desculpe, mano em nome das pessoas que prometeram e não cumpriram e as ambulâncias não apareceram. Desculpe, pelo serviço médico que você teve a sua disposição para evitar a sua dor maior. Também desculpe pelas promessas de campanha que ainda não desceram do palanque e o destino dos anônimos parece que por um bom tempo vai ser a pedra. Desculpe, Joãozinho, a burocracia da Assistência Social da Prefeitura que, mesmo você pagando com a vida a desassistência oficial, seus familiares ainda tiveram que pagar as taxas de sepultamento, que não são baratas para quem ganha o mínimo. Desculpe, meu irmão Joãozinho, o Cazuza continua com razão. Essa piscina está cheia de ratos e as idéias não correspondem aos fatos. Descance em paz, meu irmão Joãozinho.