domingo, 13 de abril de 2008

Tá bichado ou tem marimbondo no pé

Estivemos há alguns dias na casa de um Professor aposentado. Pescador antigo, de poucas mentiras e daquele tempo em que havia rios para pescar. Com os seus afazeres diários, para ocupar o tempo que, às vezes ,teima em oferecer dificuldade em passar. Lá estava ele agarrado em sua plaina de mão, a esboçar uma peça que estava na sua cabeça e a mão obediente seguia a perícia do projeto.
Foi inevitável. Nós já o havíamos interrompido. Mas com isso ele nem se incomodou, apenas virou-se para nós e sorriu.
- Olá, gente boa, chega pra cá. O outro cachorro está preso!
Entramos e fomos logo dar uma espiada em uma das suas raridades - um pé de coitê, que tem no fundo do seu quintal, de onde retiramos seus frutos secos, para fazer artezanato com suas cabaças. Ao chegar à beira do muro, para ver o nosso tesouro, que surpresa! Do outro lado, talvez fora da vista do vizinho, por estar escondido entre o pé de jaboticaba e as folhas de uma mangueira, lá estava o velho pé de laranja natal, todo viçoso, com giagantes frutas ja acizentadas de tão maduras, eram mais de três dúzias, imaginamos nós. Viramos para o Professor e indagamos:
- O que é isso, amigo?
- Um pé de laranja madura!
- Mas?!
Ficou um tempo quieto, a olhar para nós e para o pé de laranja. Quando o seu olhar cansado, se detalhou em nós, como uma etiqueta de um filme que a vida lhe guardava na alma, balançou a sua cabeça afirmativamente. Naquele instante deve ter passado em nossas mentes a mesma resposta. Ele apenas continuou a nos olhar e nada falou.
Voltamos para a sua bancada, onde ele voltou ao trabalho, empunhando uma lima e um formão e nem se amolou com o incômodo da nossa visita. Enquanto nós o observávamos lembranças passaram pela nossa cabeça. Lembramos dos nossos pais que, quando chegávamos em casa com alguma coisa diferente, nos perguntava onde a tínhamos achado e nos mandava colocar de volta, porque ela não nos pertencia.
Ali na nossa frente estava alguém que não lançava mão daquilo que não era seu. Alguém que ainda cultivava o grande princípio da convivência harmoniosa e pacífica do compreender e respeitar o que é o outro e o que é do outro.
Afinal, pensamos, excelente pessoa para tomar conta do mundo. Fomos embora pensando naquele pé de laranja que não estava bichada, nem tinha marimbondo no pé. Mas que continuava lá a espera da colheita do seu dono.
Já no portão, indagamos:
- Professor, e a política?
- Deixa isso para lá, está cada vez pior, melhor ficar de fora dessa sujeira!

Santa Casa, Misericórdia!

Santa Casa, Misericórdia!
Em teu ventre fiquei,
por um tempo que não desejei.
Horas, dias, sem dimensão,
conviver com você parece um século.
Teu corpo imóvel, retilíneo
me detinha com estranho afeto,
por um longo tempo me gerando,
como se fosse seu feto.
Abrigas em teu corpo
vidas, almas, sortes, desgraças e fim.
Teu cliente pode ser qualquer um.
A hora chega e você é o refúgio.
Lugar certo para as incertezas.
Teu leito é a saída ou apenas o limiar.
A hora e o agora podem ser o último.
A espera, daqui a pouco,
é a porta ou a pedra.
Trabalhas com vida e morte,
com a simplicidade de quem é íntimo
e as vezes não ligas
para o que no ventre levas.
Casa, enquanto me recebe
Santa, quando estou de saída
Misericordiosa, quando me protege
e me devolve para a vida.

Marceneiro poeta

Sento-me à Praça
em um banco sem graça.
Tão logo, percebo:
- que desgraça!
é de madeira sem lei
comido pela traça.
À espera estou da freguesa
que ao banco foi buscar dinheiro.
Que Deus a livre do assalto
e do relâmpago.
Me trazendo os recursos para
o serviço a fazer, com certeza,
exige uma certa riqueza,
a casa, mesmo antiga,
tem aspecto de nobreza
Cristina, a dona, não por menos,
posso dizer com franqueza,
combina com a casa
em sua realeza.

Mutirão virtual

O que é preocupante na política em Campos é que alguns empresários vislumbraram que é melhor investir nela do que na planta de uma indústria. A primeira tem uma matéria prima excelente. Uma população carente, alguns com o cérebro deslocados, o que os fazem pensar com o estômago e que são facilmente cooptados na hora do voto (de 50 a 100 tem conversa).A segunda é um vôo no escuro. Investir numa Indústria, com as incertezas que a globalização oferece é uma temeridade. Além disso, uma carga tributária acima da média mundial e que parece ainda não saciar os governantes dá a eles a incerteza de investir no negócio. Aí, qual a grande sacada. Investe-se alguns milhões, chega-se ao Poder, de preferência de uma cidade como Campos (l,5 bilhão), toma conta do cofre, distribui sonífero para os vereadores, toma como aliado um grande jornal da cidade, e tá feito um bom negócio.O que nos angustia é que muito de nós temos essa visão. Em torno de 30% dos eleitores de Campos não dependem das bênçãos do Prefeito e pensamos um novo modelo de política para a Cidade. Como fazer isso é que é a grande questão. Como juntar toda essa turma. Tem companheiros que viram a cara para o possível e eficiente trabalho que se pode fazer através dos Blogs. Apesar de nem todos terem computador em casa, quem sabe essa não seria uma forma de nos transformarmos em agentes multiplicadores, num grande mutirão, sem vaidade, sem ansiedade. Quem sabe nessa eleições já não poderíamos fazer um teste que culminaria com um grande encontro aí já fora do mundo virtual.
8:18 AM

sábado, 12 de abril de 2008

De volta

Uma saudação afetuosa a alguns poucos, porém importantes visitantes deste pedaço de mídia. Estivemos fora do ar por um bom tempo. Hibernados, ficamos a observar os acontecimentos seja na grande imprensa, como também em diversos blogs como o do Ricardo André, do Márcio, Fábio Siqueira, Roberto Moraes.
Em dezembro participamos de uma eleição interna dentro do PT. A disputa foi muito mais para se estabelecer o debate político do que simplesmente chegar ao comando do Partido. Foi uma ótima experiência. Ao mesmo tempo empolgante e decepcionante. O fascínio que o poder, mesmo que em escala menor, exerce sobre as pessoas é impressionante. Aí você observa o permissionismo,o achismo, o relativismo e a decepção com as pessoas.
Nosso grupo recebeu o apoio importante de figuras políticas como Godofredo Pinto, Cida Diogo, Luciano Dangelo, Roberto Moraes, Fábio Siqueira, Robson Siqueira, Guilherme Pacheco e a sua juventude, o núcleo de Goitacazes do Isaias Pacheco.
Enfim vários companheiros que sinalizaram com a esperança de fazer a mudança de rumo necessária dentro do PT. Não foi possível, no entanto, o resultado foi ótimo. Sem máquina e sem recursos, hoje ocupamos onze cadeiras no Diretório Municipal, incluindo duas na Executiva. Somos a maior bancada e uma oposição atuante e responsável.
Vencidos naquela disputa interna, onde alertávamos quanto ao equívoco da celebração de uma aliança com um governo sob suspeitas levantadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, estamos vendo hoje tudo se confirmando através da Operação Telhado de Vidro e nós do Partido em uma situação incômoda de ter entrado no governo Municipal na hora errada e saído também na hora errada.
Mas em política tudo é muito dinâmico. O cenário muda a cada instante. O que não pode mudar são as pessaos que devem manter, no mínimo, a sua coerência.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

APOIO SURPREENDENTE

Estivemos hoje em Goytacazes junto dos companheiros filiados do Partido dos Trabalhadores e lideranças comunitárias,em um animado e concorrido almoço de confraternização. Para as em torno de duzentas pessoas que lá compareceram, o assunto naturalmente que, além de outros, não poderia deixar de ser a disputa que está acontecendo pela nova direção do PT em Campos.
Achei muito importante esse encontro, tendo em vista que o núcleo de base de Goytacazes sempre foi decisivo não só nas eleições internas dentro da sigla, como também nas eleições municipais. Lá estivemos com as lideranças locais do José Cláudio, da Joseni, da Ana Paula, do Saulo, além do apoio importante do Coordenador do Núcleo de Goytacazes, Izaías Pacheco e do Secretário da Juventude Petista, o Guilherme Pacheco.
As adesões que estão acontecendo à Chapa BOTE ESSA ESTRELA NO PEITO, realmente estão nos surpreendendo. Eu diria que eu perdi o controle, se é que se pode controlar movimentos motivados de reação justa e protesto semelhantes.
Quando nós fomos convidados por parte da atual Executiva do Partido para compor um Chapão, nos colocamos contrários à essa idéia, visto que na nossa consideração, em qualquer organismo de controle social, seja sindicato, associação de moradores ou até e principalmente Partido Político, esse procedimento estaria matando qualquer possibilidade de sobrevivência da democracia interna, que é o mecanismo mais salutar da mútua vigilância, e que impede alguém se sentir absoluto e ficar sujeito a cometer pequenos e grandes equívocos.
Na nossa consideração, um Chapão seria assinar em baixo da estratégia equivocada da Executiva de fazer aliança com o Governo Municipal , apesar de ter passado pela votação do Diretório, que resultou em placar apertado de 19 votos contra 15.
Assim, estaríamos faltando com a coerência, visto que nós estávamos naquele grupo que votou contra a ida do Partido para a Administrãção Municipal. Além disso, estaríamos adiando por mais um longo tempo, a possibilidade do retorno dos Petistas Históricos, afastados por não concordarem com a condução atual do Partido e que foram alijados do processo de discussão.
Quando lançamos uma chapa de oposição, na nossa cabeça, confesso não passou qualquer tipo de vaidade ou revanchismo. O que nós intencionamos naquele momento era estabelecer um ambiente de debate em que diversos assuntos deveriam ser discutidos e, entre eles, uma reavalização da "aliança" feita com o governo municipal, denunciado severamente pelo TCE, acionado pelo Ministério Público e até investigado pela Polícia Federal.
Assim, nem que só tivéssemos os votos (em torno de 50) do Núcleo José Nogueira Manhães, o que nos garantiria em torno de duas vagas no Diretório e mesmo sendo minoria absoluta, gostaríamos de continuar o debate e ser o contraponto nas discussões, que se fazem necessárias.
Todavia, para nossa agradável surpresa, estamos recebendo uma adesão maciça dos idealistas históricos do PT. Luciano D'Angelo, Adilson Sarmet, Roberto Moraes, Adão Farias, Fábio Siqueira e outros membros importantes. Temos a forte convicção de que essa adesão tem muito pouco a ver com a pessoa anônima desse militante, mas sim com a animosidade que a atual maioria da Direção municipal provocou com a sua equivocada e ausente sensibilidade dedemocracia interna no trato petista.
Além deles, a presença do Godofredo Pinto, Prefeito de Niterói, modelo nacional de administração petista é motivo de muita honra, por sabermos que essas adesões transcendem a disputa política interna com o seu olhar voltado na direção do bem comum.
Temos a proposta sadia de um PT com portas abertas, com cursos de formação política, com o retorno da frequência dos militantes ao Partido e, principalmente, trazer de volta a democracia interna, que vão certamente provocar o crescimento do Partido, junto com a sua mililtância e em benefício da sociedade.



quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Seguidores

Quem sou eu